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terça-feira, 28 de junho de 2016

Desemprego motiva abertura de novas empresas no Brasil


Fonte: Fenacon

Conhecer as obrigações burocráticas é essencial, destaca Sescap- Ldr

Com a taxa de desemprego acima dos 11%, abrir a própria empresa tem se mostrado uma alternativa viável para muitos trabalhadores brasileiros. Entre as modalidades mais procuradas, o Microempreendedor Individual (MEI) se destaca, principalmente, pela facilidade em formalizar o negócio e pelo custo reduzido de manutenção. Mesmo assim, antes de empreender, é preciso planejar e estar preparado para o período mais difícil de um novo negócio.

Os primeiros dois anos de atividade são os mais difíceis para as micros e pequenas empresas brasileiras. De acordo com o presidente do Sindicato das Empresas de Assessoramento, Perícias, Informações, Pesquisas e de Serviços Contábeis de Londrina e Região (Sescap-Ldr), Jaime Cardozo, " abrir um Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ) não significa necessariamente que a pessoa se tornou um empresário e conhece todas as obrigações burocráticas relacionadas à atividade empresarial. Muitos iniciam a vida empresarial sem vivenciar ou estudar o negócio com o qual está se envolvendo. E conhecimento é essencial para o sucesso", destaca.

Volume
Em sete anos de existência, o programa MEI formalizou mais de 6 milhões de empreendimentos em todo o País. A marca foi alcançada em abril deste ano, mas não é o único número que chama atenção. Somente entre janeiro e maio deste ano, 429,8 mil pessoas se tornaram microempreendedores individuais no País, segundo dados da Receita Federal do Brasil (RFB). O volume é 7,09% maior se comparado ao mesmo período do ano passado, quando a economia brasileira já apresentava sinais de retração.

A evolução dos números pode estar relacionada à taxa de desemprego e à dificuldade em se recolocar no mercado de trabalho, índices que só crescem desde o final de 2015, avalia o presidente da Federação Nacional das Empresas de Serviços Contábeis e das Empresas de Assessoramento, Perícias, Informações e Pesquisas (Fenacon), Mario Berti. "Percebemos que a quantidade de novas micros e pequenas empresas em busca de orientação especializada cresceu, mas a longevidade desses negócios ainda preocupa. O maior problema é que as pessoas acham que basta abrir um novo negócio e sair vendendo, seja mercadoria ou serviços", avalia.

Na opinião de Berti, se não houver uma pesquisa antecipada das condições de mercado, como local, trânsito de pessoas e necessidades do consumidor, a abertura de um novo empreendimento pode se transformar em dor de cabeça ou, até mesmo, aumentar o impacto do desemprego com mais dívidas.

Desemprego
Segundo últimos dados divulgados pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED), referentes ao mês de abril de 2016, foram perdidos 1.163 empregos celetistas no Estado do Paraná. A indústria é o setor com maior número de demissões, com menos 1.994 postos. Na cidade de Londrina, o CAGED apontou 6.052 admissões e 6.315 desligamentos, resultando no saldo de menos 263 vagas. Já nas cidades da região, como Santo Antônio da Platina (Norte Pioneiro), o saldo é positivo de 100 vagas. Em Cornélio Procópio o saldo também é positivo, com 40 vagas; e a vizinha Ibiporã registrou 479 contratações e 446 desligamentos, fechando com saldo de 33 vagas.

Pesquisa
Pesquisa divulgada pelo Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT) aponta que 26,16% das micros e pequenas empresas fecham antes de completar dois anos de atividade e, entre elas, encontram-se os MEIs. Ainda segundo o IBPT, as principais causas de mortalidade são a falta de conhecimento do mercado e das regras para manutenção do empreendimento. "Antes de abrir uma empresa, é preciso estruturar um plano de negócios, identificar o público alvo, avaliar a necessidade de capital de giro e, principalmente, conhecer as obrigações tributárias de cada modalidade", ressalta o presidente do Sescap-Ldr.

Os MEIs, por exemplo, precisam pagar até o dia 20 de cada mês o Documento de Arrecadação Simplificada (DAS). Os valores dependem da atividade exercida e oscilam entre R$ 45 e R$ 50. "A contribuição não é alta, mas muitos microempreendedores individuais atrasam o pagamento por falta de orientação ou por não estarem atentos às regras", destaca Cardozo. Segundo a Receita Federal, os MEIs inadimplentes somam 57,6% do total. O percentual se refere aos boletos que deveriam ter sido pagos em abril deste ano. Outro erro bastante comum é não conseguir separar claramente o caixa da empresa das finanças pessoais.


Fonte: Sindicato das Empresas de Assessoramento, Perícias, Informações, Pesquisas e de Serviços Contábeis de Londrina e Região (Sescap-Ldr).

terça-feira, 5 de abril de 2016

Desemprego já é a principal causa de inadimplência

A situação econômica está deixando o consumidor retraído e 74% não pretendem fazer compras nos próximos meses, segundo a Boa Vista SCPC

O desemprego é a principal causa da inadimplência dos consumidores brasileiros, aponta a pesquisa nacional Perfil do Consumidor Inadimplente, realizada pela Boa Vista SCPC (Serviço Central de Proteção ao Crédito), referente ao primeiro trimestre.

De acordo com o levantamento, 41% dos entrevistados não conseguiram pagar as contas em dia por conta desse fator, avanço de seis pontos percentuais em relação ao apurado no mesmo período do ano passado.

Do total, 66% dos inadimplentes no primeiro trimestre de 2016 são homens, mantendo tendência existente desde o início da série histórica, em março de 2012.

O desemprego tem afetado a inadimplência principalmente para as famílias que ganham até três e entre três a dez salários mínimos, com 49% e 34% das menções, impossibilitando-as de efetuarem o pagamento de suas contas regularmente.

No primeiro trimestre do ano passado, esses percentuais eram de 41% e 30%, respectivamente.

Em segundo lugar das causas da inadimplência, os consumidores mencionaram a diminuição de renda (18% do total), alta de sete pontos percentuais na mesma base de comparação, seguido de descontrole financeiro (15%, diminuição de 13 p.p).

Esse último fator diminuiu nas três faixas de renda observadas: até três salários mínimos (de 25% para 13%), entre três a dez salários mínimos (de 31% para 19%) e acima de dez salários mínimos (de 27% para 16%).

Para aqueles com renda familiar acima de dez salários mínimos, aumentam os casos de "esqueceram de pagar" com 24% das citações, contra 19% do mesmo período do ano anterior.

O percentual de consumidores que declararam possuir apenas uma conta que causou a restrição passou de 40% para 49%, se comparado ao primeiro trimestre de 2015.

A pesquisa da Boa Vista SCPC mostrou também que 17% possuem quatro contas ou mais em atraso, contra 23% registrados no mesmo trimestre do ano anterior.

Entre as famílias com renda de até três e entre três a dez salários mínimos, houve aumento da inadimplência em função do não pagamento de empréstimo pessoal. O percentual passou de 6% para 10% em ambos os perfis.

MAIS PESSIMISTA
O otimismo dos consumidores apresentou queda de 4 pontos percentuais em comparação ao mesmo trimestre de 2015, passando de 80% para 76% das menções de que a relação recebimentos/gastos para os próximos meses estaria melhor. Para 24% deles, no ano de 2017, esta relação estará igual ou pior à atual.

Ainda de acordo com o levantamento, a situação econômica está deixando o consumidor retraído: 74% dos entrevistados não pretendem fazer novas compras nos próximos meses, tão logo consigam quitar as dívidas que causaram a restrição.

Entre os que pretendem voltar às compras depois de saldados os compromissos, a compra de um carro zero km continua a ser o "sonho de consumo" (43%), três p.p. acima em relação ao ano anterior. A compra de imóveis surge em segundo lugar, mesmo diminuindo a intenção de 23% para 18% das menções.

O levantamento foi realizado pela Boa Vista SCPC, em todo o país, no período de 22 de fevereiro a 3 de março, com 1.019 consumidores inadimplentes.